Saltar para: Posts [1], Pesquisa e Arquivos [2]


A lista de livros para ler este ano

Quinta-feira, 04.02.16

 

Já tinha saudades de visitar a secção de livros da Fnac do Chiado. Passar pelos destaques, a literatura estrangeira traduzida, os livros de viagens, a divulgação científica, a pedagogia e a psicologia. Esta é a minha selecção à partida.

 

A minha técnica para escolher um livro é sempre a mesma. Leio a contra-capa, o tema essencial, abro-o depois a meio, leio algumas frases, se me prende a atenção e a curiosodade vou ver o autor, país de origem, idade. Volto a abrir o livro ao acaso. E é nessa altura que decido se vai para a lista ou não.

 

Os autores conhecidos são velhos amigos que gosto de visitar, desta vez são Dickens ("O amigo comum"), Oscar Wilde ("Obras completas, I e II"), Faulkner ("Sartoris") e J. G. Ballard ("O arranha-céus"). 

 

Finalmente e se ainda houver tempo, reler de outros velhos amigos, "Guerra e Paz" (Tolstoi), "As neves de Kilimanjaro" (Hemingway) e "A um Deus desconhecido" (Steinbeck).

 

 

A lista foi-se assim compondo a partir dos autores que ainda não conheço:

 

- "Danúbio" de Claudio Magris - Quetzal

- "Stoner" de John Williams - D. Quixote 

- "J" de Howard Jacobson - Bertrand

- "As obras-primas de T. S. Spivet" de Leif Larsen - Editorial Presença

- "A era do deslumbramento" de Richard Holmes - Gradiva 

- "Pensar com clareza" de Rolf Dobelli - Temas e Debates 

- "Educar para o futuro" de Paul Tough - Clube do Livro

 

 

 

 

 

Autoria e outros dados (tags, etc)

publicado por Ana Gabriela A. S. Fernandes às 20:54

Nobel da Literatura para uma mulher jornalista de investigação

Sábado, 10.10.15

Ontem ouvi na RTP 3 uma especialista falar de Svetlana Aleksievitch, jornalista de investigação bielorrussa, que acaba de ganhar o Nobel da Literatura. O seu percurso, a sua experiência com a "mãe Rússia". Só um dos seus livros está traduzido em português, "O Fim do Homem Soviético - um tempo de desencanto".

Uma frase ficou a tilintar nos meus neurónios: encontra-se no que escreve mais jornalismo e menos literatura.


Como leitora compulsiva, tem sido esse o meu trajecto - da poesia, romance histórico, novela psicológica - para os textos de viagem, a reportagem, os ensaios.

Como se houvessem dois planos, o plano fantástico e o plano realista (Tennessee Williams através da personagem Rev. Lawrence Shannon em "A Noite da Iguana") e eu tivesse caminhado de um para o outro.

Se olharmos à profundidade, estes dois planos coexistem, e é isso que dá consistência e intensidade à verdadeira literatura.


Apenas referir que há muitos mais homens prémio Nobel da Literatura do que mulheres. Também como leitora, a proporção de escritoras que li é ínfima em relação aos escritores. Por isso, já é tempo de ouvir a voz das mulheres, o seu olhar e o seu sentir.

 

 

Post publicado n' A Vida na Terra.

 

 

 

 

Autoria e outros dados (tags, etc)

publicado por Ana Gabriela A. S. Fernandes às 08:19

Do Tempo das Descobertas: "Sem Título"

Domingo, 28.02.10

 

Do Jardim de Micróbios, este post do John, Sem Título. Gosto muito das suas análises literárias e cinematográficas, sempre ousadas e inovadoras. Com personagens complexas, sombrias e inquietantes. Desta vez é o Dracula. Nem mais. Nunca me aventurei nestas leituras sobre as criaturas da noite, mas ainda vi o Dracula do Francis Ford Coppola com um magnífico Gary Oldman talhadinho para o papel. Já conta, não acham?

 

 

Sem Título

 

Invejo as pessoas - os escritores, se quiserem - que têm a capacidade de escrever contos. Contos no sentido de shortstories, uma narrativa de poucas páginas, coerente, com princípio, meio e fim, e capaz de de agarrar o leitor. Eu, por experiência, sei que não consigo: tentei várias vezes, mas mas ficções que crio tendem a crescer bastante, a expandir-se para além dos limites que lhes atribuo. Não sei ser sucinto, o que também é capaz de explicar o meu problema com a escrita de títulos. No que a contos diz respeito, o melhor que consegui foi um conto, escrito há oito anos, com nove páginas (com espaçamento de 1,5 linhas), que fazendo parte de uma história maior, funciona bem sozinho. Mas foi isto. Sobraram alguns proto-contos inacabados que continuam na gaveta, passe a expressão (hoje em dia nenhum escritor tem "gaveta" ou "baú", não no sentido de Tolkien, por exemplo; uma pasta no ambiente de trabalho do portátil serve perfeitamente), e os vários projectos de coisas maiores que fui desenvolvendo ao longo dos anos e que jamais serão concluídos. Não é da minha natureza acabar o que quer que seja; e há dias em que as sinopses que escrevo (sou muito bom a fazer sinopses das minhas próprias histórias) parecem-me ser suficientes.

Isto ocorreu-me quando ontem li um conto muito pequeno e muito simples de Bram Stoker intitulado Dracula's Guest, que me maravilhou quase tanto como a obra-prima do velho Stoker, Dracula, cuja leitura também concluí ontem. Ao conto primeiro: Dracula's Guest é uma narrativa tão curta que é difícil perceber como pode ser tão boa. As descrições, enfim, são um assombro, revelando a enorme capacidade de Stoker para, e perdoem-me o recurso ao inglês, establish mood (mood, como se sabe, é uma palavra intraduzível) e conduzir o leitor a um clímax improvável e francamente arrepiante. E são deixadas por resolver pontas soltas em quantidade suficiente para o leitor se entreter.

Sobre Dracula: lê-se o primeiro capítulo e percebe-se o motivo pelo qual esta obra, mais do que ser considerada um clássico da literatura fantástica/gótica/de terror, é um clássico da literatura em geral. O leque de personagens é fantástico - de Jonathan Harker a John Seward, de Mina Murray a Abraham Van Helsing, de Renfield ao próprio Conde Drácula - e a estrutura narrativa é do melhor que já encontrei em livro. A narrativa é epistolar, composta por passagens dos diários e por memorandos das várias personagens, juntamente com telegramas ou alguns artigos de jornal. Parece aborrecido, mas funciona surpreendentemente bem, dado à leitura um ritmo único, que contribui em larga medida para a atmosfera sombria que Stoker concebeu (tal como as suas vivas descrições). Há passagens nas quais é impossível não sentir um arrepio, ou pelo menos uma vaga sensação de desconforto - mas é igualmente impossível colocar o livro de lado. Exemplo disso é a descoberta, por Harker, das saídas nocturnas de Drácula; ou as passagens que dão conta do delírio sonâmbulo de Lucy (para não mencionar passagens que denunciem demasiado o curso da história).

Dracula é leitura que recomendo: numa época em que os vampiros são tão maltratados, vale muito a pena ir aos clássicos - talvez ao clássico maior - e compreender o motivo pelo qual estas criaturas da noite inspiraram tanta literatura (e cinema) ao longo das décadas. E o motivo pelo qual continuarão a fazer parte dos mais tradicionais cânones dos géneros fantásticos, quando a actual febre adolescente passar por fim.

john  "

 

 

Autoria e outros dados (tags, etc)

publicado por Ana Gabriela A. S. Fernandes às 12:46

Do Tempo das Descobertas: Um Homem

Quarta-feira, 03.02.10

 

Do Circo da Lama este post sobre um homem e esta frase que registei: “há nos homens mais coisas a admirar que coisas a desprezar.”

 

 

" Um Homem

 

 

 

O Homem é um estrangeiro, um estranho. “Num universo subitamente privado de ilusões e de luzes” o Homem só se pode sentir estrangeiro. Mas ao contrário do exilado e do refugiado, o Homem tem de viver sem o consolo “de uma pátria perdida” e sem “a esperança de uma terra prometida”. Nem Ulisses, nem Judeu. O Homem já nasce longe de casa. E a casa nem sequer existe. Vale a pena viver esta vida? No ensaio O Mito de Sísifo, Albert Camus defendia que esta era a pergunta a que tínhamos de responder e o suicídio o único problema filosófico verdadeiramente importante. Ainda hoje há muitos que consideram que a obra de Camus apresenta o suicídio como a única saída para o Homem cercado de desespero por todos os lados. Para contrariar esta ideia basta ler o final do romance A Peste. Ou examinar com mais atenção a vida de Camus. O seu percurso foi invulgar. Nascido na Argélia, pied-noir, como eram depreciativamente chamados os franceses nascidos naquela colónia, Camus foi para a metrópole em 1941. A tuberculose impedira-o de prosseguir a carreira docente e Camus iniciou a carreira no jornalismo. Colaborou com a Resistência e foi redactor principal do jornal clandestino Combat, um dos mais importantes títulos da imprensa francesa durante a ocupação alemã. Quando ocorreu a libertação, em 1944, Camus já conquistara o seu espaço na literatura francesa. Dois anos antes publicara o romance O Estrangeiro e O Mito de Sísifo, que lhe valeram a atenção da crítica e a admiração, embora com reservas, de Jean-Paul Sartre. A amizade entre os dois gigantes terminaria anos mais tarde. Em 1951, Albert Camus publicou o ensaio O Homem Revoltado. O livro continha críticas ao Marxismo e ao modelo soviético e foi demolido numa recensão publicada na revista Les Temps Modernes, dirigida por Sartre. O que era uma manifestação do profundo humanismo de Camus contra todas as formas de opressão foi entendido pela esquerda como uma traição. As trincheiras ideológicas estavam demasiado cerradas para que uma “terceira via” fosse aceite sem turbulência. Para Camus, o homem absurdo tinha de aprender a viver sem as muletas de Deus ou do Partido. A sua vida e a sua obra são um testemunho a favor da esperança contra todas as evidências. Num mundo sem sentido, cheio de dor e de desespero, o homem deve exprimir a sua revolta positiva. “É preciso que nos ajudemos uns aos outros”, diz uma das personagens de A Peste. No final do romance, há uma frase que serve de fundamento ao humanismo ateu de Camus: “há nos homens mais coisas a admirar que coisas a desprezar.” A 4 de Janeiro de 1959, dois anos após ter recebido o Prémio Nobel, Albert Camus morreu num acidente de viação. Tinha 46 anos. Nascera no exílio, “entre a miséria e o sol.” Como todos os homens. "

 

Por Bruno Vieira Amaral 

 

 

Autoria e outros dados (tags, etc)

publicado por Ana Gabriela A. S. Fernandes às 17:02

Do Tempo das Descobertas: O Medo

Sexta-feira, 22.01.10

 

Descobri este post magnífico n' O Cachimbo de Magritte que aborda um dos temas mais difíceis: a natureza do mal e as suas diversas dimensões. E a emoção mais primitiva, ao serviço da sobrevivência:

 

 

" O Medo
 
Em A Volta ao Dia em 80 Mundos, Julio Cortázar narra um episódio ocorrido num autocarro parisiense (tentem não se distrair com a aliteração) e dá-lhe o nome de Encontro com o Mal. Nos autocarros parisienses e, presumo, na maior parte dos transportes colectivos do mundo ocidental, podemos esperar os acontecimentos mais insólitos. Eu já fui testemunha de uma boa dezena de tais acontecimentos e acredito não ser mais azarado ou mais atento do que a maioria dos cidadãos que, por questões económicas ou de deficiente ordenamento do território, é obrigada a frequentar diariamente os veículos dos TST. Se, com o nosso exagero meridional, podemos classificar algumas dessas experiências como “infernais” ou, os como dirão os que ao exagero juntam a erudição, “dantescas”, não será, porém, razoável que esperemos um encontro com o Mal. Seria uma experiência que nem o preço dos bilhetes poderia justificar. O Mal, visto por Cortázar, é um homem de “sobretudo e chapéu pretos”. Deixo para quem sabe: “A certa altura, tive consciência do medo que se tinha vindo a instalar naquele corredor, no qual jamais alguém teria pensado que um dia sentiria medo. Não sei descrever uma coisa destas [os escritores como Cortázar têm a tendência a desvalorizar as suas capacidades para, de seguida, nos impressionarem com os seus recursos]; era uma aura, uma irradiação de mal, uma presença abominável.” Prossegue o argentino: “Dizer que era o Mal não é dizer nada; conhecemos as suas caras sorridentes e os seus múltiplos jogos amáveis [não é o Diabo capaz de se transformar em anjo de luz?]. O insuportável (e isso sentia-o o revisor na sua simplicidade, sentíamo-lo todos a partir dos nossos diversos horizontes) era a ausência de qualquer símbolo revelador.” O que Cortázar quer dizer é que o Mal é um vazio de sentido e que o medo alimenta-se desse vazio.

Guy de Maupassant descreveu, talvez melhor do que ninguém, esse sentimento que não deve ser confundido com outras emoções limítrofes: “Um homem enérgico nunca tem medo perante um perigo iminente. Sente-se emocionado, agitado, ansioso; mas o medo é outra coisa.” Estas palavras foram escritas por Maupassant num conto que se chama, sem surpresas, O Medo. E o que é o medo? O medo “acontece em certas circunstâncias anormais, sob certas influências misteriosas, face a ameaças vagas. O verdadeiro medo é como uma reminiscência dos terrores fantásticos de outrora.” Se Maupassant tivesse ficado por aqui nós teríamos medo, porque esta é uma descrição um tanto vaga. Mas, logo a seguir e através do relato de uma personagem, ilustra o sentimento. O homem em questão foi confrontado com o medo em duas situações bastante distintas: a primeira, no deserto, em plena luz do dia. A segunda, numa noite fria de Dezembro, num bosque do nordeste de França. A primeira diz-nos que o medo não é necessariamente, e ao contrário do que o cinema de terror nos fez crer, um animal noctívago. A segunda é uma representação mais tradicional - centro-europeia e grimmesca – do medo. Um bosque, uma casa no meio do bosque, a noite, condições atmosféricas desfavoráveis – aquilo com que se assustam as crianças. Para o estudo do medo, e até para seguirmos a lógica iniciada com Cortázar, a primeira situação é muito mais produtiva. Em plena luz do dia e no deserto (Maupassant diz que o medo é filho do Norte e que “o sol dissipa-o como uma névoa”), o medo é mais puro porque se funda no absoluto vazio de referências que normalmente nos permitem pressenti-lo. O deserto não tem esquinas nem sombras. O medo que aí se possa sentir paira mais acima. Cobre toda a extensão de areia, mas não se manifesta claramente. É a tal ameaça vaga e indecifrável. No conto, os árabes que acompanham o homem dizem: “A morte está sobre nós”. Em todo o lado e em lado nenhum, como o Deus único dos israelitas – uma invenção do deserto.

Quando Hitchcock quis desafiar as convenções do suspense, criou uma das cenas mais fascinantes de toda a sua obra e da história do cinema. Colocou um homem no meio do nada, num espaço aberto, em plena luz do dia, à espera de qualquer coisa. Nunca o medo foi tão abstracto. A cena, como o leitor cinéfilo já terá deduzido, pertence a North by Northwest e é a matriz de outros filmes, como Duel, de Steven Spielberg, em que o Mal não se esconde à noite atrás de uma porta fechada. Se o tempo nos permitir, ainda voltaremos a Hitchcock. Para já, aproveitemos o boleia do camião de Spielberg para avançar. Nós ficamos sem saber quem conduz o camião que persegue aquele pobre homem pelas estradas secundárias da América. O Mal não tem rosto (no que se parece com o Deus de Moisés), nem uma causa que o explique. Para todos os efeitos, o camião é guiado por ninguém e o homem perseguido, ocupado em manter-se inteiro, não pode perder tempo a pensar nas motivações do inimigo (no fundo, é a história de Nobody a perseguir o Everyman).

Este assustador vazio de sentido pode ser encontrado amiúde na literatura fantástica. E nada melhor do que animais em fúria para acentuar o irracional. Consideremos alguns exemplos. Os Cavalos de Abdera, de Leopoldo Lugones, O Terror, novela de Arthur Machen e o conto Os Pássaros, de Daphne du Maurier, são três relatos sobre o tema dos ataques inexplicáveis de animais contra humanos. As narrativas das obras de Machen e de du Maurier decorrem em períodos de guerra, pelo que ambas podem ser lidas como alegorias em que os animais simbolizam a ameaça exterior. Nos dois casos, o estilo é realista. O conto de Lugones é muito diferente. É um conto mitológico, temperado com um humor ausente nos outros dois. Lugones fala da célebre raça de cavalos de Abdera, os quais eram tão acarinhados pelos seus donos que alguns destes até tinham o hábito de os admitir à mesa. Tamanha deferência resulta em tragédia porque os animais, entusiasmados com o estatuto que lhes é concedido, resolvem atacar a cidade, destruindo as casas e matando os habitantes. Não é dada qualquer explicação para o comportamento dos animais, embora possamos arriscar uma interpretação; Lugones alerta para os efeitos perversos de uma educação laxista ou, o que também não é descabido, desenha uma metáfora sobre as relações de poder na sociedade: os “cavalos” devem ser tratados como cavalos ou corremos o risco de um dia os encontrarmos na cama com as nossas donzelas. Em O Terror, os ataques são levados a cabo por aves, cavalos e – suspenda-se a descrença – pirilampos. No conto de du Maurier, os responsáveis são os do título, uma Luftwaffe do Mal, passe o pleonasmo. O filme de Hitchcock (com argumento de Evan Hunter) é muito melhor enquanto ensaio sobre o Mal porque é expurgado do subtexto da guerra. Em nenhum momento somos convidados a ver o filme como uma alegoria da guerra. No filme, o escatológico (it’s the end of the world) é bíblico, metafísico, enquanto que, no conto, é uma representação literária de ameaças reais.

Em qualquer destes casos, o medo radica na ausência de qualquer explicação plausível para a irrupção do Mal. Um homicida maníaco ou os alemães (O Terror) e a vaga de frio (Os Pássaros) oferecem “pelo menos, a tranquilidade de uma explicação, e qualquer explicação, ainda que pobre, é melhor do que um mistério terrível e intolerável”, para citar uma passagem do livro de Machen. O mistério terrível e intolerável do ruído de tambores no meio do deserto e da fúria de animais enlouquecidos ou assustadoramente conscientes; o mistério terrível e intolerável de um homem numa estrada deserta e de um homem de sobretudo e chapéu pretos num autocarro em Paris. Esse mistério a que fomos chamando de Mal tem outro nome familiar e, ao mesmo tempo, longínquo. É a morte, a que está sobre nós.

 

 

 

 

Autoria e outros dados (tags, etc)

publicado por Ana Gabriela A. S. Fernandes às 00:00








comentários recentes


Posts mais comentados


links

coisas à mão de semear

coisas prioritárias

coisas mesmo essenciais

outras coisas essenciais

coisas em viagem